Crônica de uma Viagem Anunciada*
Alessivânia Mota**
Para falar da experiência de acompanhar este grupo e trabalhar com Psicologia Social Pichoniana, eu resolvi fazer uma analogia com uma experiência pessoal: Saltar de Paraquedas!
Até você decidir viver esta experiência é tomado por um universo de dúvidas e incertezas, bem como, algumas certezas duvidosas. Certeza, certeza, ainda, não. É o tal do novo, o novo que desestrutura, aumenta a ansiedade e gera os medos conhecidos (medo à perda e medo ao ataque). Quando você decide, “já está”*** , lançou para o universo!
Você vai, pega informações, faz a inscrição, preenche os formulários, recebe as primeiras orientações necessárias para alçar vôo (o nosso laboratório). Aí você sobe no avião, acompanhado por três instrutores (a equipe).
Durante o vôo (processo de formação) você vai sendo acompanhado, discute os temas elabora em Grupo Operativo, observa o cenário, observa pessoas, pergunta , questiona...
E é chegada a hora de saltar. A porta do avião se abre e você se dá conta que está há aproximadamente doze mil pés de altura (de suas matrizes de aprendizagem).
Você olha para baixo e pensa: O que estou fazendo aqui? Será que vou dar conta? Mas ao mesmo tempo você é tomado de uma sensação indescritivelmente prazerosa, um misto de medo e vontade. Vontade de se permitir, de experimentar, de acreditar em si mesmo, por saber que é capaz.
È chegada a hora de coordenar: Você salta do avião, salta na imensidão do universo, passa por entre as nuvens, sente o gosto do vento, o sabor do frio na barriga, o coração palpitar, a voz embaraçar na garganta...
Os instrutores descem com você, eles estão ali do seu lado, acenam, brincam, descontraem, orientam, mas não esqueça: Quem puxa a corda do paraquedas é você. Na hora exata. Nem antes, nem depois.
Ao “puxar a corda” vão sendo feito os ajustes. Ajusta-se a velocidade, a altura, o local do pouso, o tempo de descida, ao mesmo tempo em que vai sendo possível apreciar a paisagem ao seu redor. As imagens vão ficando mais definidas, você vai conseguindo contextualizá-las no cenário observável, entendendo as possíveis razões de ser e acontecer... mas só são hipóteses! Certeza? Esta não nos pertence... Passado o tempo previsto de vôo, você chega ao solo. Mas já não é o mesmo solo...
Então você vibra, celebra, se emociona, ri e chora ao mesmo tempo, olha para o céu e não acredita que você fez isso, que você conseguiu! É... você conseguiu. E aí não tem como não experimentar entrar em contato com toda sua capacidade de realização, superação e plenitude de ser humano. As dores e delícias de ser... HUMANO.
Ah! Quando você deixa o centro de “paraquedismo” logo, logo vem a pergunta: Quando será a próxima viagem?
*texto elaborado para Formatura do Grupo de Formação em Coordenadores de Grupos Operativos, turma 2007-2009 em 02 de abril de 2009
** Coordenadora de Grupos Operativos, formada pelo Centro Interdisciplinar de Estudos Grupais Enrique Pichon Rivière, turma 2003-2005
*** termo comumente utilizado por Graciela Chatelain